sexta-feira, 8 de maio de 2020

PREVENÇÃO E INTERVENÇÃO AO CYBERBULLYING

É equivocado pensarmos que o cyberbullying é cometido apenas por pessoas que não conhecemos. Muitas vezes é praticado por alguém que está ao nosso redor, ou seja, pessoas que nos conhecem na vida “real”, como colegas de turma, amigos ou até familiares. 
Usar a internet com responsabilidade é uma forma de prevenção ao cyberbullying. Entretanto outras medidas podem e devem ser adotadas.
Foto: Aluno do Ser Capaz

Na internet

  1. Atualizar regularmente o antivírus do computador ou telemóvel.
  2. Fornecer o e-mail apenas a pessoas que conhecemos.
  3. Proteger o e-mail com um filtro de spam/lixo eletrónico. 
  4. Usar passwords complexas e altera-as com regularidade. 
  5. Não fornecer as passwords a outras pessoas, mesmo que sejam de confiança. 
  6. Fazer sempre logout, ao sair do e-mail ou de uma  página web.
  7. Avisar o administrador da página  web se o conteúdo consultado for inadequado ou impróprio.
Foto: Aluno do Ser Capaz

Nas redes sociais

  1. Optar por um perfil discreto, sem expor em demasia quem somos e o que fazemos. 
  2. Não publicar / partilhar informação pessoal (morada,  telemóvel, idade, e-mail, nomes/fotos da família).
  3. Personalizar as definições de privacidade para que o perfil possa apenas ser visto por amigos e familiares. 
  4. Adicionar ou aceita amizade apenas de pessoas que conhecemos.
  5. Evitar fazer comentários ou publicações em páginas com muitos subscritores.
  6. Não utilizar as redes sociais para ofender ou humilhar outra pessoa.
  7. Não fazer, nem dizer online nada que não seria capaz de dizer ou de fazer pessoalmente.
Todos os processos anteriormente mencionados são importante para prevenção ao cyberbullying. Porém outro passo importante é a intervenção. Passamos algumas dicas.
Foto: Aluno do Ser Capaz

Para quem sofre cyberbullying

  1. Não fique calado. Lembre-se está é a intenção do agressor
  2. Não responda às provocações com novas agressões.
  3. Evite as páginas ou redes sociais em que está a ser agredido até que a situação se resolva
  4. Denuncia as páginas que se dedicam a  incomodar ou assediar
  5. Guarda provas do assédio o tempo que for possível, seja qual for a forma em que a agressão se manifeste.
  6. Pede ajuda aos pais, professores ou a um adulto em que tenhas confiança.

Para grupos de Pares

  1. Não partilhe conteúdos agressivos. Ao partilhar um conteúdo agressivo deixará de ser um expectador e passa a ser também agressor., 
  2. Denuncia o conteúdo agressivo mediante as opções oferecidas pelas redes sociais e pelas plataformas.
  3. Se ninguém tomou uma atitude,  pode ser útil fazer um comentário que mostre que não está de acordo com o que foi publicado sobre alguém.
  4. Aproxima do(a) colega ou amigo(a) que está sendo assediado(a) e diz-lhe que ele ou ela não está sozinho.
  5. Comenta a situação com um adulto, para que ele possa intervir.

Para mães, pais e educadores que detectam uma situação de cyberbullying

  1. Dialogue com o agressor sobre as possíveis causas do cyberbullying.
  2. Tente descobrir quais conflitos ele ou ela possam ter e como canalizá-los de outro modo.
  3. Tente refletir sobre como se sentiria se a situação fosse inversa.
  4. Promova o conceito de igualdade e responsabilidade diante dos demais, para que todos compreendam que zombar de alguém por suas características é uma forma de discriminação.
  5. Insista na atitude de “não faça na Internet o que não faria cara a cara”.
  6. Peça aos agressores que tirem da web tudo que tenham usado para ofender alguém, imediatamente.
  7. Insista para que os agressores peçam desculpas publicamente pelo dano causado a um(a) colega ou amigo(a).
  8. Tome medidas legais se a situação de assédio não for interrompida
Foto: Aluno do Ser Capaz

Se apesar das medidas de intervenção, os ataques persistirem, contacte as autoridades locais competentes. Mesmo os ataques sendo anónimos às autoridades policiais têm meios para detetar e solucionar o problema.
Seja um nativo digital responsável!


quinta-feira, 7 de maio de 2020

COMO OCORRE O CYBERBULLYING?


O cyberbullying ocorre através das redes sociais, e-mails, SMS, ou quaisquer outros mecanismos de comunicação digital, inclusive jogos online que o agressor, recorrendo a perfis falsos e no anonimato, age, apoderando-se de informações falsas por vezes aumentadas ou manipuladas de maneira a transtornar e denegrir a vítima, enviando-lhe mensagens ameaçadoras, ou de ódio, e até mesmo o partilhamento de conteúdos que a ponha em causa.

Relativamente aos ataques, no cyberbullying, podem acontecer de forma direta ou indireta. 

Ataques direto 

O agressor age de forma direta "face a face" a sua vítima, por meio de:
  1. "Assédio através de mensagens instantâneas ou SMS;
  2. Utilização de blogues, redes sociais, fóruns ou sítios na Internet para divulgação de informações, imagens ou vídeos sobre a vítima – vídeos esses que podem ser verdadeiros ou adulterados;
  3. Roubo de palavras-passe para acesso às contas das redes sociais ou das mensagens instantâneas, com o objetivo de adquirir informações pessoais ou utilizar os serviços em nome da vítima;
  4. Envio de imagens, verdadeiras ou adulteradas, através de correio eletrónico e telemóvel;
  5. Criação de votações online em que a vítima é “humilhada” e posterior divulgação dessa votação na comunidade;
  6. Utilização de jogos online que dispõem de mecanismos de comunicação e envio de mensagens;
  7. Envio de vírus e malware, geralmente com o objetivo de roubar palavras-passe ou informações acerca da vítima;
  8. Inscrição em listas de distribuição de conteúdos, normalmente constrangedores ou impróprios para a idade, em nome da vítima". (Pinheiro, 2016, p. 50)

Ataques indiretos 

O agressor age com intermédio a terceiros para atingir sua vítima através de:
  1. "Envio massivo de notificações aos administradores de um serviço (redes sociais, fóruns, blogues, etc.), efetuando reclamações, normalmente falsas, acerca do comportamento da vítima;
  2. Envio de mensagens maliciosas para a lista de contactos da vítima ou outros contactos externos, em nome da vítima;
  3. Colocação de contactos da vítima em salas de chat ou anúncios na Internet". (Pinheiro, 2016, p. 51)

Partindo pela caracterização de Willard (2004) in Seixas, Fernandes e Morais (2016) os comportamentos de cyberbullying podem ser agrupados da  seguinte forma: 
  1. Mensagens inflamadas (flaming): discussões na Internet por meio de envio de mensagens com sentimento de raiva, por vezes impróprias, em público ou privado, presencialmente ou online e evoluir para uma troca de mensagens ou comentários.
  2. Assédio (harassment): envio repetido de mensagens ameaçadoras que pode ocorrer após a vítima denunciar o agressor.
  3. Perseguição (cyberstalking): perseguir alguém com o envio persistente de mensagens altamente intimidatória.
  4. Difamação (denigration): difamar alguém na Internet espalhando informações falsas com o intuito de causar dano a sua reputação.
  5. Personificação (impersonation): fazer-se passar por outra pessoa, enviando ou publicando mensagens com o objetivo de lesar a sua reputação. 
  6. Exposição (outing): divulgar segredos ou imagem com conteúdos sensíveis de outra pessoa. Como filmar uma agressão e partilhar o vídeo na Internet, para que este possa ser visualizado por todo o mundo. Por sua vez disseminada nas redes sociais, a agressão se propaga com muita velocidade, ao mesmo tempo, quando é partilhada e visualizada por muitas pessoas. A reprodução rápida de comentários e partilha pode transformar a vida de uma pessoa num pesadelo.
  7. Artimanhas (trickery): falar com alguém online para obter segredos e depois divulgar na rede. 
  8. Exclusão (exclusion): Excluir alguém de um grupo de forma intencional e cruel.
Em todos os casos, a prática de cyberbullying é um ato cruel e uma atitude reprovável, pois, arranca de uma presunção de superioridade sobre outrem que na realidade não existe, mas que pode transformar por completo a vida da vítima.

Referencia


Pinheiro. L. (2016). O uso da internet, o bullying, o cyberbullying e o suporte social em jovens do 3º ciclo – um estudo não experimental correlacional realizado numa escola portuguesa. InfoCEDI. 65, 8-9

Seixas. S., Fernandes. L. & Morais. T. (2016). Cyberbullying um guia para pais e educadores. Plátano Editora. Portugal

BULLYING E CYBERBULLYING: fenómenos diferentes ou semelhantes?

O uso das novas tecnologias tem muitas vantagens, porém pode trazer algumas desvantagens e por consequência alguns  constrangimentos. O Cyberbullying é um desses constrangimentos que atinge principalmente os jovens e adolescentes.

Podemos dizer que o cyberbullying é uma extensão do bullying tradicional. O bullying tradicional é uma forma de violência que ocorre de maneira direta agressor/vítima, e com maior ocorrência nas escolas. Por outro lado falamos cyber+bullying por ser uma forma de bullying em que um indivíduo  valendo-se do uso das tecnologias de informação e comunicação, age contra uma pessoa, através de atos deliberados, reiteradamente, com o intuito de prejudicar e denegrir a imagem de quem é assediado.

Assim o que difere o bullying do cyberbullying é que aquele (bullying) os actos de agressão ou ameaça são praticados face a face entre agressor e vítima, de forma direta, enquanto neste (cyberbullying) as agressões não são síncronas pois o agressor não está na presença da vítima e os efeitos se mantêm por longo período e deixam memória permanente e acessível a um universo de utilizadores, geograficamente distantes, dificilmente removíveis. A humilhação de uma vítima é visível em todos os continentes durante anos, com possibilidade de a agressão se multiplicar indefinivelmente. Os efeitos são perpétuos.

Relativamente as semelhanças podemos destacar tais como a agressividade, a intenção de causar sofrimento ou mal-estar a vítima, prática repetitiva e o desequilíbrio de poder que o agressor exerce face a vítima.


Recurso adicional: Do bullying ao cyberbullying?

Fonte
Seixas. S., Fernandes. L. & Morais. T. (2016). Cyberbullying um guia para pais e educadores. Plátano Editora. Portugal


terça-feira, 5 de maio de 2020

O QUANTO VOCÊ SABE SOBRE O BULLYING?


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CASOS REAIS DE BULLYING E CYBERBULLYING





São cada vez mais frequentes os relatos de bullying em todo o mundo, principalmente em meio escolar. Por outro lado, o cyberbullying é também, um fenómeno em crescimento, por vezes com consequências devastadoras. Passamos a alguns casos.

Quaden Bayles (Austrália)


O caso de bullying sofrido pelo menino australiano de 9 anos, Quaden Bayles, que tem nanismo, foi difundido nas redes sociais por todo o mundo.
A mãe desta criança filmou-o após o ter ido buscar à escola e ter presenciado uma agressão no carro a dizer que queria morrer, e a mãe com medo que ele se suicidasse pediu conselhos para ajudar o filho, vítima de bullying, exigindo que alguém acabasse com aquela situação.
Verificou-se uma onda de solidariedade a nível mundial. Milhões de pessoas sentiram empatia pelo sofrimento da criança incluindo várias celebridades e foi a um campeonato de rugby ver o seu ídolo
e ainda fizeram uma angariação de fundos para levar a mãe e o filho à Disney. 

Daniel Rebelo (Portugal)


Aos 17 anos o português Daniel Rebelo, participou do "Ídolos", programa da SIC, realizado no ano de 2015. O jovem foi humilhado pela a apresentadora por causa do tamanho de suas orelhas. Por este motivo, suas fotos foram alteradas e difundidas nas redes sociais. 
A crueldade foi tanta que o jovem não quis voltar à escola. Isolou-se em casa e a única vez que saiu, na sequência do acontecido, usou um gorro e um casaco com capuz para não ser reconhecido. 
Após ter sofrido de depressão, bullying e a morte da avó, Daniel teve a vida transformada com a operação às orelhas e a troca de sexo, passando a chama-se Alexa Devni. 
Alexa recuperou a auto-estima, está a fazer tratamentos hormonais e está na lista de espera para uma operação que lhe permitirá a mudança do órgão sexual. Confira a reportagem que mostra a transformação da vida do Daniel.


Professora é vítima de bullying (Portugal)


O bullying não atinge apenas os mais jovens. Prova disto foi o relato de uma professora  à direção do Blog ComRegras, relativamente às constantes ameaças que tem sofrido.
A professora acompanha uma aluna há três anos. As ameaças tiveram início em meados do ano passado, e têm se agravado nos últimos meses, com agressões, humilhações e gestos obscenos. Uma frequente perseguição quer na sala de aula, no pátio ou mesmo nas imediações da escola eram os atos de que se queixava.

"Tenho sido enxovalhada, agredida, perseguida, insultada e filmada por uma aluna. Na sala de aula, no pátio e nas imediações da escola sou chamada de puta, cabra, maluca, demónio. A aluna faz-me gestos obscenos com o dedo e depois filma-me com o telemóvel para registar a minha reação".

A facto foi participado à direção, mas esta, não levou a sério a denúncia da professora. 

Jovem vítima de Cyberbullying (Portugal)


Tudo começou quando Maria (nome fictício) recebeu e-mails que a incitava a seguir links na Internet. Os links direcionavam-na para múltiplas páginas, com fotografias da jovem e outras fotos e vídeos adulterados de cariz sexual como se fosse a mesma fotografada ou gravada. O Agressor criou mais de 80 perfis falsos da Maria nas redes sociais onde constavam os números de telefone, incluindo o de casa dos seus pais, para onde passaram a ligar centenas de homens à procura dos serviços sexuais que as ditas páginas publicitavam.

"O meu rosto e o meu nome foram associados a conteúdos tão ordinários que cheguei a ter vergonha do meu nome e de mim, sabe? Consegui manter a consciência ao separar as coisas: não, aquela não sou eu". Não era, de facto. Mas houve momentos tão duros que chegou a pensar "terminar com a vida e, assim, com o sofrimento. Pensei em suicídio, pensei. Era tudo tão horrível que cheguei a achar que não ia aguentar. Precisei de apoio psicológico, o que senti como uma espécie de humilhação sendo eu psicóloga, mas resisti".

Foram oito meses até que Maria descobrisse o responsável pelos seus sofrimentos. O antigo director de um centro espírita do Porto, um investigador de astrofísica e professor universitário, a quem Maria substituíra no cargo e por quem tinha grande respeito e confiança.  👉 Cyberbullying: Inimigo sem rosto


Outros casos

👉Casos de bullying que chocaram Portugal

👉 Adriana Rodrigues e José Melo -  Portugal

👉Amanda Todd - Canadá

👉Júlia Rebeca - Brasil

👉Tyler Clementi - Estados Unidos da América

👉Ryan Patrick Halligan - Estados Unidos da América

👉Megan Meier - Estados Unidos

BULLYING: E SE FOSSE CONTIGO?

FORMAS DE CYBERBULLYING


No âmbito do projeto Cyberbullying e Bullying: educar para prevenção,  aprendemos brincado as formas de Cyberbullying e ainda o que devemos fazer em caso destas ocorrências.

O que aprendemos:

Cyberbullying


É uma forma de BULLYING cometido através da Internet e das novas tecnologias, em que uma pessoa/grupo procura ofender, envergonhar e humilhar outra pessoa.

 Formas de Cyberbullying


  • Discussão na Internet por meio de envio de mensagens com sentimento de raiva, por vezes impróprias, em público ou privado.
  • Envio repetido de mensagens abusivas.
  • Perseguir alguém com o envio persistente de mensagens altamente intimidatória.
  • Difamar alguém na Internet espalhando informações falsas com o intuito de causar dano a sua reputação.
  • Fazer-se passar por outra pessoa, enviando ou publicando mensagens com o objetivo de lesar a sua reputação.
  • Divulgar segredos ou imagem com conteúdos sensíveis de outra pessoa.
  • Falar com alguém online para obter segredos e depois divulgar na rede.
  • Excluir alguém de um grupo de forma intencional e cruel.
  • Filmar uma agressão e partilhar o vídeo na Internet, para que este possa ser visualizado  por todo o mundo.

O que nunca devemos fazer


  • Fornecer dados pessoais a pessoas que conhecemos na Internet.
  • Expor demasiada informação sobre nós em blogues ou redes sociais.
  • Combinar encontros com pessoas que conhecemos na Internet.
  • Responder a mensagens desagradáveis, ou provocadoras.
  • Partilhar informação falsa sobre outras pessoas para as prejudicar.
  • Publicar conteúdo que nos pode trazer constrangimento.
  • Usar a Internet para magoar, prejudicar ou humilhar alguém.

O que sempre devemos fazer



  • Não responder diretamente a pessoa  que nos agrediu, insultou e/ou humilhou.
  • Guardar ou gravar sempre os conteúdos que nos incomodaram para termos provas do que se está a passar. 
  • Se a situação se passou nas redes sociais, devemos denunciar o conteúdo abusivo. 
  • Bloquear essa pessoa/grupo e eliminar comentários e identificações que fizeram a nós.
  • Contar o que se está a passar aos nossos pais ou a um adulto em que tenhamos confiança. 
  • Contactar as autoridades.

Referências

Seixas. S., Fernandes. L. & Morais. T. (2016). Cyberbullying um guia para pais e educadores. Plátano Editora. Portugal

Infocedi 65 https://pt.scribd.com/document/338670977/Infocedi-65-Cyberbullying

Apav para jovens https://www.apavparajovens.pt/pt/go/o-que-fazer8